Aterro sanitário de Resende é desativado e 53 famílias ficam sem os seus trabalhos em plena pandemia.

Sede da AGASAR / foto: Cloves Alves

Foto: Cloves Alves-Diretoria AGASAR se reune com associados

A prefeitura municipal de Resende encerrou no 31 de Marco de 2020 as atividades no aterro sanitário de Resende, localizado no Bairro de Bulhões!  Todo o lixo recolhido na cidade de Resende  será agora destinado para o município de Barra Mansa  o que pode além de gerar novos custos aos cofres Resendense,

vai deixar de gerar  53 empregos diretos. Preocupados com a situação e com  o futuro que os espera,  os trabalhadores membros da Associação dos Garimpeiros do Aterro Sanitário de Resende (AGASAR)  se reuniram na  manhã de segunda-feira, 13  de Abril de 2020    para buscarem seus direitos, pensarem e  planejarem coletivamente  o futuro das  53 famílias  que ali trabalham.    

Presidente da AGASAR Juliano Santos / Foto: Cloves Alves

A reunião realizada logo pela manha foi conduzida pelo  presidente vice-presidente da AGASAR Juliano Sebastião e Dirceia  Jerônimo a “coelha” respectivamente. A reunião contou ainda com a presença do vereador Caio Sampaio do PDT.  

Dentre os diversos assuntos tratados Juliano destacou a grande preocupação  com futuro das famílias que trabalham e buscam sua sobrevivência e manutenção das suas famílias  ali no aterro sanitário!  “É muito preocupante a nossa situação, não sabemos o que vai acontecer e o pior e que a prefeitura não se posiciona, já participamos de nove reuniões e em cada uma delas um representante diferente, as conversas não avançaram”.  

Juliano ressalta  que  no  dia 02 de abril  ,os catadores passaram o dia inteiro no local trabalhando normalmente , estranharam os caminhões não descarregarem, mas mantiveram a rotina,  pois não haviam recebido nenhuma comunicação de que os caminhões não iriam descarregar no aterro de Bulhões  

 “Trabalhamos normalmente e não apareceu nenhum caminhão, no dia seguinte fiquei sabendo que o lixo noturno  foi coletado mas não foi levado para o aterro de Resende , eu liguei para a empresa Nova Ambiental, responsável pela coleta do lixo que nos informou que os caminhões estavam descarregando em Barra mansa.”  

Centro de Tratamento de Resíduos sólidos de Barra Mansa / foto internet Diário do Vale

Tivemos uma reunião  no dia 06 de abril deste ano, Sr. Wilson Moura  Secretario de Meio Ambiente, Sr. Elio Rodrigues da Silva Junior secretario de Governo, e nossa advogada, onde nos informaram que o lixo passaria a ser destinado  para barra mansa por conta de um contrato firmado entre a PMR e a empresa responsável pela coleta, mas que não seria imediatamente, que teríamos um prazo ate que as medidas de auxilio aos cooperados focem aplicadas.  

Não nos propuseram, nem implantaram  nada de fato  para amenizar nossas perdas, alguns dos nossos associados  trabalham há quase trinta anos no lixão e não temos a menor ideia de como será o nosso futuro.  

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Ofereceram-nos uma  ajuda com uma sexta básica e um aluguel social de seis meses, no entanto isto não nos ajuda em nada, uma vez que todos temos casa própria e não queremos cestas básicas, queremos trabalhar, faturávamos em média dois salários mínimos, agora como vamos viver, pagar contas, arcar com nossos compromissos, manter a família sem os nossos trabalhos? Cesta básica não vai nos ajudar em nada, precisamos de um programa, uma política social,  algo que nos permita continuar a trabalhar dignamente  e termos nossos próprios ganhos.” 

Juliano lamenta  a forma repentina da retirada dos caminhões!  “Estávamos dialogando, a AGASAR, PMR, a Defensoria Publica da União, Defensoria Publica do Estado, Ministério Publico estadual, além do Ministério Publico do Trabalho, todos envolvidos e imbuídos em busca da melhor solução.  “sabíamos que uma hora teríamos que sair, não somos crianças tínhamos esta ciência. São 53 famílias trabalhando dignamente,  muitos caminham horas todos os dias para chegarem ao local de trabalho. Geramos recursos para o município.  A somatória dos nossos ganhos e em media 100 mil reais mensais, dinheiro que movimenta a economia da cidade, esperávamos mais respeito e consideração, sentimos que fomos tratados com pré-conceitos por conta da atividade que exercemos, são  100 mil por mês a menos circulando no comercio de Resende!”   

Em uma reunião realizada no dia 6 de Abril  tivemos a garantia de que seriamos avisados com antecedência sobre as retiradas dos caminhões, mentiram para nos, fomos desrespeitados. Nós nunca fomos contra o fechamento do aterro,  questionamos a forma  como foi feito sem nos avisar, alem das muitas promessas não terem sido cumpridas” Afirma Juliano! 

O vereador Caio Sampaio, que também participou da reunião se sensibilizou com a situação dos catadores!

Vereador Caio Sampaio conversa com catadores.
Foto: Cloves Alves

Fui convidado pelo Elielton que é  um dos associados da AGASAR, ele me falou sobre o que estava acontecendo. Quando eu assisti ao vídeo do Juliano  me tocou profundamente, eu não poderia me silenciar diante desta situação. “Foi muita insensibilidade do governo municipal em plena pandemia 

deixar 53 famílias da noite para o dia sem emprego, sem renda e  assistência. Poderiam ter aguardado dois ou três meses, levando-se em conta o momento delicado em que o País esta vivendo por conta da pandemia do Covid-19. Perder o emprego, ficar sem renda já e ruim, em especial num momento como este pode ser catastrófico para estes homens e estas  mulheres chefes de família e seus familiares.  

No mesmo dia protocolei junto à câmara Municipal de Resende um oficio solicitando ao prefeito informações sobre a aplicação da lei 12.205/2010,  a lei que ampara os associados no tocante ao apoio social. 

Defensoria Pública Estadual apoia os catadores de Resende.

Divulgação / internet

Para o defensor Público Estadual, Dr. Claudio Santos é de suma importância a ação das Defensorias Publicas para a aplicação das  leis  e a garantia dos direitos dos associados da  AGASAR. “É nossa obrigação neste caso em especial, não só da defensoria publica da união, mas também  Ministério Publico do 

Estado, defensoria Publica do Estado, Ministério Publico do trabalho estes quatro órgãos estão aí acompanhando o cumprimento da legislação da obrigação do poder público para com a categoria dos catadores de Resende então a gente espera poder auxiliá-los neste processo que já era difícil agora a campanha de mia acabou por agravar ainda mais a situação. 

Eles estão nos seus  direitos, é um direito até de subsistência e  neste momento não devemos nem considerar se uma pessoa ou  outra não entendeu.  É mais do que legítima a busca pelo direito à subsistência, Conclui Dr. Cláudio.  

Foi encaminhada, na data do dia 16 de de abril. recomendação conjunta (DPU/DPE/MPT/MPE) ao município de Resende e à AMAR, 

VEJA O DOCUMENTO NA INTEGRA  https://www.dpu.def.br/noticias-rio-de-janeiro/56528-dpu-recomenda-a-prefeitura-de-resende-rj-medidas-de-atencao-a-catadores

Entrevistamos e ouvimos a PMR,  lideranças e trabalhadores do aterro de Gramacho no Rio de Janeiro, o maior aterro da América latina, que foi desativado a 10 anos atrás! Eles contam como sobreviveram e como vivem após passarem pelo mesmo drama ao qual estão passando os catadores de Resende.

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Vinte de novembro, dia da Consciência Negra
Tribunal superior eleitoral (TSE) decide cota de tempo de propaganda e verbas para candidaturas de negros e negras.
  Existem apenas duas classes sociais, as do que não comem e as do que não dormem com medo da revolução dos que não comem. 
Negros e negras compõem 47,6% das candidaturas, No entanto apenas 27,9% são eleitos.
FUNDEB-fundo de manutenção e desenvolvimento da educação básica e o avanço permanente na educação brasileira.
Números da violência, medo e insegurança crescem em Resende.
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